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GOVERNO TRUMP EXIGIU PARTICIPAÇÃO DE ‘DISSIDENTES’ NA ELEIÇÃO BRASILEIRA DE 2026 EM TROCA DE ACORDO TARIFÁRIO.

Foto: Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg via Getty Images

Fonte: Clube91.5FM

Documentos diplomáticos confidenciais revelados nesta quinta-feira (17 de Setembro) apontam que a administração do presidente norte-americano Donald Trump tentou condicionar negociações bilaterais de comércio à flexibilização do cenário político-eleitoral brasileiro.

Durante as tratativas realizadas em outubro de 2025 para tentar reverter a imposição de uma alíquota tarifária de 50% contra produtos brasileiros, a Casa Branca encaminhou uma minuta de declaração conjunta exigindo que o Brasil autorizasse a participação de “dissidentes políticos” no pleito presidencial de 2026.

O trecho em questão estipulava expressamente: “O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”. A comunicação, confirmada pela imprensa nacional após divulgação inicial pelo jornal O Estado de S.Paulo, integrava um pacote composto por 21 exigências formais apresentadas pelos negociadores dos Estados Unidos.

A maioria dos tópicos listados extrapolava a pauta econômico-comercial. O documento norte-americano também cobrava que o governo brasileiro se abstivesse de criar entraves concorrenciais a plataformas digitais dos EUA — dispositivo interpretado por especialistas como uma blindagem contra o avanço do sistema Pix —, além de exigir imunidade contra ordens judiciais de bloqueio de contas, multas ou custódia de cidadãos americanos por controvérsias atinentes à liberdade de manifestação e redes sociais.

A formulação do documento refletiu declarações prévias de Trump, que já havia classificado as ações judiciais no Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma “caça às bruxas” que precisaria cessar de imediato. Na ocasião da entrega da minuta, uma delegação brasileira liderada pelo chanceler Mauro Vieira encontrava-se em Washington para reuniões com o secretário de Estado Marco Rubio e o representante comercial Jamieson Greer.

Após análise preliminar do corpo técnico do Itamaraty, o ministro Mauro Vieira determinou a devolução imediata do documento às autoridades norte-americanas, recusando a inclusão de qualquer compromisso nesse formato sob a justificativa de que a soberania institucional brasileira não admite tutela externa e que não existem “presos ou dissidentes políticos” no ordenamento jurídico nacional. A diplomacia brasileira comunicou formalmente a Washington a rejeição irrevogável das condições, classificando o teor do texto como inaceitável para o prosseguimento das conversas bilaterais.

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