Foto: Reprodução/TV Globo
Fonte: Clube91.5FM
O uso intenso de celulares e redes sociais tem transformado a adolescência e levantado preocupações entre famílias, educadores e especialistas. A facilidade de estar conectado a qualquer momento amplia as possibilidades de interação, mas também pode dificultar a convivência presencial, aumentar a pressão por aceitação e afetar a autoestima dos jovens.
O tema é abordado na série Essa Tal de Adolescência, que reúne experiências de adolescentes, familiares e profissionais para discutir os desafios de crescer em uma sociedade cada vez mais digital.
A pandemia de Covid-19 também é apontada como um fator importante nessa transformação. O isolamento social interrompeu experiências fundamentais para o desenvolvimento dos jovens, como o contato com amigos, a participação em atividades coletivas e a construção da autonomia fora de casa.
TEMPO DE TELA E MENOS CONVIVÊNCIA PRESENCIAL
Em muitas famílias, o celular passou a fazer parte de praticamente todos os momentos do dia, inclusive das refeições e do período de descanso. A preocupação com a segurança nas ruas também leva alguns responsáveis a preferirem que os filhos permaneçam em casa, aumentando o tempo dedicado às telas.
Especialistas destacam que a adolescência é uma etapa em que os vínculos sociais e a convivência com pessoas da mesma idade ganham importância. Quando as interações ficam concentradas no ambiente virtual, os jovens podem perder oportunidades de desenvolver habilidades sociais e fortalecer relações presenciais.
Como alternativa, projetos sociais têm investido em atividades coletivas sem o uso de aparelhos eletrônicos. A proposta é estimular a conversa, a participação em grupo e a criação de vínculos por meio de experiências compartilhadas.
REDES SOCIAIS AUMENTAM A PRESSÃO POR APARÊNCIA
Outro desafio está relacionado à exposição constante a imagens e padrões de beleza nas redes sociais. Durante a adolescência, período marcado pela construção da identidade, a comparação com colegas e influenciadores pode gerar insegurança e insatisfação com a própria aparência.
O uso frequente de filtros e ferramentas de edição também pode contribuir para uma percepção distorcida da imagem pessoal. Em alguns casos, a busca por aprovação por meio de curtidas e comentários aumenta a preocupação com a opinião dos outros.
O bullying e as críticas recebidas durante a infância podem intensificar essas dificuldades. Por isso, especialistas defendem atenção aos sinais de sofrimento emocional, isolamento, mudanças de comportamento e queda da autoestima.
CELULAR TAMBÉM PODE AFASTAR PAIS E FILHOS
A dificuldade de comunicação dentro de casa é outro ponto levantado pela série. Mesmo quando pais e filhos compartilham o mesmo ambiente, o tempo dedicado às telas pode reduzir as oportunidades de conversa e convivência.
Experiências de estudantes que produziram um curta-metragem sobre o tema mostram como esse distanciamento pode ser percebido pelos próprios adolescentes. A iniciativa surgiu de situações vividas pelos jovens e retratou conflitos comuns entre gerações.
Para melhorar essa relação, especialistas recomendam que os responsáveis procurem compreender a realidade dos filhos, em vez de recorrer apenas a cobranças e proibições. Estabelecer limites para o uso dos aparelhos, combinar momentos sem telas e demonstrar interesse pelas experiências dos adolescentes são algumas das estratégias possíveis.
COMO EQUILIBRAR TECNOLOGIA E VIDA SOCIAL
O desafio não é necessariamente afastar os adolescentes da tecnologia, mas ajudá-los a desenvolver uma relação equilibrada com o ambiente digital.
Entre as medidas que podem contribuir para esse processo estão:
- Definir horários para o uso de celulares, respeitando as necessidades de descanso e estudo.
- Incentivar esportes, atividades culturais e encontros presenciais.
- Conversar sobre padrões de beleza, exposição pessoal, bullying e segurança na internet.
- Estabelecer regras familiares que também sejam respeitadas pelos adultos.
- Procurar ajuda profissional quando houver sinais persistentes de sofrimento emocional.
A orientação de especialistas é que a educação digital seja acompanhada de escuta, afeto e participação dos responsáveis. Mais do que controlar o tempo diante das telas, é importante construir uma relação de confiança para que os jovens se sintam seguros ao compartilhar suas dificuldades.

