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Fonte: Clube91.5FM
A possibilidade de um El Niño de forte intensidade acende um alerta para o agronegócio brasileiro. Um estudo da Serasa Experian, divulgado em 27 de outubro de 2026, estima que a produção nacional de soja pode cair quase 18 milhões de toneladas na safra 2026/2027, provocando perdas financeiras que podem chegar a R$ 33 bilhões.
A projeção considera um cenário de redução de aproximadamente 10% na produção, que passaria de 181,2 milhões para 163,6 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento previsto da área cultivada, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas podem comprometer o desenvolvimento das lavouras.
MATO GROSSO E GOIÁS ESTÃO ENTRE OS MAIS AFETADOS
De acordo com o levantamento, o Centro-Oeste concentra parte significativa dos riscos. Mato Grosso pode registrar uma redução de 9,7 milhões de toneladas, enquanto Goiás teria uma queda estimada em 4 milhões de toneladas.
A análise também aponta possíveis perdas de produtividade em estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão. No cenário mais desfavorável, 13 estados brasileiros poderiam apresentar redução no rendimento das lavouras.
Em contrapartida, o Rio Grande do Sul pode se beneficiar das condições climáticas associadas ao fenômeno. O estudo estima um possível aumento de 5,5 milhões de toneladas na produção gaúcha, favorecido pela maior ocorrência de chuvas durante episódios de El Niño.
CHUVAS NOS PRÓXIMOS MESES SERÃO DECISIVAS
O avanço do plantio é um dos fatores acompanhados pelo setor. Segundo dados da consultoria AgRural divulgados em 26 de outubro, cerca de 40% da área prevista para o cultivo de soja no Brasil já havia sido semeada até o dia 22.
Apesar do ritmo de plantio, a preocupação agora envolve principalmente as condições climáticas durante o desenvolvimento das plantas. As chuvas previstas para novembro e dezembro serão importantes para etapas como o florescimento e a formação dos grãos.
A distribuição irregular das precipitações pode provocar estresse hídrico, reduzir o potencial produtivo e aumentar os custos dos agricultores. Por isso, mesmo com a ampliação da área plantada, o resultado da safra dependerá diretamente das condições climáticas ao longo do ciclo agrícola.
IMPACTOS PODEM CHEGAR AO MERCADO
A estimativa de R$ 33 bilhões em perdas considera os preços utilizados no estudo, com referência em agosto de 2026. Entretanto, o impacto financeiro efetivo ainda dependerá do comportamento do clima, da produtividade alcançada e da cotação da soja.
Uma redução expressiva na oferta também pode pressionar os preços do grão, alterando os resultados financeiros dos produtores e os custos para setores que utilizam a soja como matéria-prima, como a produção de rações e a cadeia de proteína animal.
O cenário apresentado pela Serasa Experian é uma projeção de risco, e não uma confirmação de quebra da safra. O acompanhamento das previsões meteorológicas e das condições das lavouras será fundamental para avaliar a dimensão dos possíveis prejuízos nos próximos meses.

