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Fonte: Clube91.5FM
A falta de vitaminas e minerais essenciais pode comprometer a saúde durante meses ou até anos sem apresentar sinais evidentes. Conhecida como “fome oculta”, essa condição acontece quando uma pessoa consome calorias suficientes para manter o peso e as atividades diárias, mas não ingere a quantidade adequada de nutrientes necessários ao funcionamento do organismo.
Na Alemanha, estimativas da Sociedade Alemã de Medicina Nutricional (DGEM) apontam que cerca de 50 mil mortes por ano estão associadas à deficiência nutricional. O problema preocupa especialistas porque, em muitos casos, os sintomas aparecem somente quando o organismo já sofreu prejuízos importantes.
Entre os nutrientes cuja deficiência pode permanecer silenciosa estão as vitaminas D e B12. A falta prolongada de vitamina B12, por exemplo, pode provocar alterações no sistema nervoso, dormência nas mãos e nos pés, fraqueza muscular e dificuldades de memória. Em situações graves, alguns danos neurológicos podem se tornar permanentes.
O QUE É A FOME OCULTA?
A fome oculta é caracterizada pela ingestão insuficiente de micronutrientes, mesmo quando a alimentação fornece calorias em quantidade aparentemente adequada.
Vitaminas e minerais são indispensáveis para diversas funções do corpo, incluindo a produção de células sanguíneas, o funcionamento do sistema imunológico, a manutenção dos ossos e o equilíbrio do metabolismo.
Entre os nutrientes mais importantes estão:
- Vitamina D: contribui para a absorção de cálcio e a saúde dos ossos.
- Vitamina B12: participa da formação das células sanguíneas e da manutenção do sistema nervoso.
- Ferro: essencial para transportar oxigênio pelo organismo.
- Iodo: necessário para a produção dos hormônios da tireoide.
- Zinco: participa da imunidade e da cicatrização.
- Cálcio: importante para a estrutura óssea e a contração muscular.
- Magnésio: atua no funcionamento dos músculos, nervos e metabolismo.
A deficiência desses nutrientes pode comprometer diferentes órgãos e sistemas, dependendo da intensidade e da duração da carência.
ALIMENTAÇÃO DE BAIXA QUALIDADE É UM DOS PRINCIPAIS FATORES
Uma das causas da fome oculta é a alimentação baseada em produtos com muitas calorias, mas poucos nutrientes. Refrigerantes, biscoitos, salgadinhos, alimentos ultraprocessados e refeições com pouca variedade de vegetais podem fornecer energia sem atender às necessidades nutricionais do organismo.
A condição também está relacionada à desigualdade social. Famílias com menor renda frequentemente encontram dificuldades para comprar frutas, verduras, legumes e outros alimentos nutritivos, recorrendo a opções mais baratas e com menor qualidade nutricional.
Além da pobreza, idosos, pessoas que vivem sozinhas e indivíduos com determinadas condições de saúde podem apresentar maior risco de desenvolver deficiências.
DOENÇAS PODEM DIFICULTAR A ABSORÇÃO DE NUTRIENTES
Nem sempre o problema está apenas na alimentação. Algumas doenças prejudicam a capacidade do organismo de absorver ou aproveitar vitaminas e minerais.
Entre elas estão a doença celíaca, a doença de Crohn, enfermidades hepáticas e alguns tipos de câncer.
O uso prolongado de determinados medicamentos também pode interferir na absorção ou no metabolismo de nutrientes, aumentando a possibilidade de carências.
Em pacientes hospitalizados, a situação merece atenção especial. A alimentação inadequada, associada à própria doença, pode agravar o estado nutricional, dificultar a cicatrização e prolongar o período de internação.
COMO IDENTIFICAR E PREVENIR A FOME OCULTA?
A prevenção começa com uma alimentação variada, que inclua frutas, verduras, legumes, cereais, leguminosas, proteínas e fontes adequadas de gorduras.
Algumas medidas importantes são:
- Variar os alimentos consumidos ao longo da semana.
- Incluir vegetais de diferentes cores nas refeições.
- Consumir fontes de proteínas, como ovos, carnes, leite e leguminosas.
- Priorizar alimentos frescos e minimamente processados.
- Evitar que produtos ultraprocessados sejam a base da alimentação.
- Procurar orientação profissional diante de sintomas persistentes ou situações de risco.
A deficiência nutricional também pode ser identificada por avaliação clínica e exames laboratoriais específicos. Dependendo do nutriente investigado, o profissional de saúde poderá solicitar exames de sangue e outros procedimentos.
A suplementação pode ser necessária em determinados casos, mas deve ser orientada por um profissional, pois o excesso de algumas vitaminas e minerais também pode provocar problemas de saúde.

