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Fonte: Clube91.5FM
Os ataques cibernéticos contra corretoras de criptomoedas voltaram a chamar a atenção para a segurança do mercado de ativos digitais. Um suposto roubo de US$ 6,3 bilhões envolvendo a Binance, uma das maiores plataformas de negociação de criptomoedas do mundo, reacendeu o debate sobre a capacidade dos seguros de proteger empresas e investidores contra esse tipo de prejuízo.
Apesar de existirem apólices específicas para o setor, a contratação de um seguro não significa que todos os valores roubados serão recuperados. A indenização depende das condições estabelecidas no contrato, da modalidade de cobertura e das circunstâncias em que ocorreu o ataque.
O mercado de seguros para ativos digitais ainda é considerado especializado. Com o crescimento das operações envolvendo criptomoedas e a entrada de grandes investidores institucionais, aumentou também a preocupação com invasões, fraudes e falhas nos sistemas de armazenamento.
O QUE É O SEGURO DE ATIVOS DIGITAIS?
Esse tipo de seguro reúne diferentes modalidades de proteção destinadas a corretoras, empresas de armazenamento de criptomoedas e prestadores de serviços tecnológicos.
As apólices podem cobrir situações como:
- Seguro contra crimes: proteção contra roubos, fraudes e transferências não autorizadas.
- Seguro cibernético: cobertura para invasões de sistemas, vazamento de dados e incidentes digitais.
- Erros e omissões: proteção contra prejuízos provocados por falhas tecnológicas e problemas em contratos inteligentes.
- Seguro para executivos: cobertura de despesas e responsabilidades decorrentes de processos judiciais contra dirigentes.
- Responsabilidade tecnológica: proteção relacionada a falhas nos serviços e nas soluções oferecidas por empresas de tecnologia.
COMO FUNCIONA O PAGAMENTO DAS INDENIZAÇÕES?
Quando uma corretora sofre um ataque, a recuperação dos valores pode envolver diferentes fontes de recursos, como indenizações de seguros, reservas financeiras próprias e fundos de emergência.
O pagamento depende dos limites estabelecidos na apólice, das franquias e das exclusões previstas no contrato.
Caso o prejuízo ultrapasse o valor máximo segurado, a empresa precisa utilizar recursos próprios ou outras reservas para cobrir a diferença.
No caso da Binance, existe também o Fundo de Ativos Seguros para Usuários, conhecido como SAFU, criado em 2018 para situações emergenciais.
Atualização importante: após o ataque de outubro de 2026, a Binance informou ter separado mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para cobrir as perdas. Desse montante, aproximadamente US$ 5 bilhões já estavam disponíveis em ativos afetados. A empresa também informou que parceiros do setor conseguiram congelar cerca de US$ 3 bilhões em criptomoedas. Reuters+2
POR QUE O SEGURO PODE NÃO COBRIR TODO O PREJUÍZO?
Mesmo com uma apólice contratada, existem situações em que a seguradora pode negar ou limitar o pagamento da indenização.
Entre as principais restrições estão:
- Perdas provocadas pela desvalorização das criptomoedas.
- Fraudes praticadas pelo próprio segurado.
- Falhas nos procedimentos de segurança.
- Negligência na proteção das chaves privadas.
- Incidentes que não estejam previstos na cobertura contratada.
Outro problema é que seguros cibernéticos tradicionais nem sempre incluem o reembolso dos valores digitais roubados. Algumas apólices cobrem apenas despesas com investigações, advogados e comunicação aos clientes.
Por isso, empresas que trabalham com criptomoedas precisam contratar proteções específicas para os riscos relacionados aos ativos digitais.
COMO AS SEGURADORAS INVESTIGAM OS ATAQUES?
Antes de autorizar uma indenização, as seguradoras analisam como ocorreu a invasão, quais sistemas foram comprometidos e se a empresa cumpria as exigências de segurança previstas no contrato.
Também são avaliados os mecanismos de proteção das carteiras digitais, o controle de acesso e os procedimentos de autorização das transações.
A origem do ataque pode fazer diferença. Uma invasão realizada por criminosos externos, por exemplo, pode receber tratamento diferente de uma transferência fraudulenta realizada intencionalmente por um funcionário.
O caso da Binance demonstra que a segurança no mercado de criptomoedas vai muito além da contratação de seguros. Reservas financeiras, controles tecnológicos, fiscalização e transparência também são fundamentais para proteger os investidores.

