Início GERALRECUSA FAMILIAR TRAVA 45% DAS DOAÇÕES DE ÓRGÃOS NO BRASIL; CAPACITAÇÃO HOSPITALAR MIRA DIÁLOGO COM ENTES NO LUTO.

RECUSA FAMILIAR TRAVA 45% DAS DOAÇÕES DE ÓRGÃOS NO BRASIL; CAPACITAÇÃO HOSPITALAR MIRA DIÁLOGO COM ENTES NO LUTO.

por Redação Rádio Clube 91.5 FM
32 visualizações

Foto: Ministério da Saúde/Divulgação

Fonte: Clube91.5FM
A perda de um familiar após a constatação de morte encefálica coloca os parentes diante da dolorosa decisão de autorizar a doação de órgãos para salvar vidas de pacientes anônimos na fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados consolidados do Registro Brasileiro de Transplantes, divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), revelam que o país registra taxa média de recusa familiar de 45%.

O índice varia entre diferentes estados e hospitais de uma mesma região, demonstrando que o problema ultrapassa fatores culturais e está diretamente atrelado ao preparo institucional e à capacidade de acolhimento das equipes médicas.

O presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, adverte que falhas no fluxo comunicacional dos hospitais representam um dos principais entraves para a concretização dos transplantes.

Segundo Franke, o uso de jargões técnicos herméticos, abordagens apressadas e a falta de sensibilidade no anúncio do óbito criam resistências. Familiares frequentemente temem mutilações estéticas no corpo do parente, desconfiam da rigidez do diagnóstico de morte encefálica ou sentem que o corpo clínico estaria mais focado nos órgãos do que no respeito ao ente falecido.

Diante do cenário, a AMIB firmou parceria com o Ministério da Saúde para qualificar quem atua diretamente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e centros cirúrgicos.

O programa conjunto capacitou 2.534 profissionais de saúde em 25 estados brasileiros — superando em 25% a meta original de 2 mil inscritos. As instruções englobaram 73 cursos focados na correta determinação clínica da morte encefálica, manutenção hemodinâmica de doadores potenciais, gerenciamento de protocolos e, prioritariamente, técnicas de Comunicação em Situações Críticas (CSC) para um diálogo humanizado e transparente com os enlutados.

Ao todo, a formação já instruiu 933 médicos (473 deles especializados na constatação da morte cerebral), além de enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas. O cronograma prevê mais oito etapas até o encerramento do projeto, com novas rodadas de oficinas em Florianópolis e Fortaleza.

Em todo o país, foram mapeados 15.940 potenciais doadores, resultando em 4.335 doadores efetivos — índice que alcançou a marca de 20,3 doadores por milhão de habitantes, ligeiramente acima dos 19,2 registrados no ciclo anterior, mas ainda travado pelas mais de 4,2 mil negativas dadas por familiares indecisos ou desinformados.

Este artigo foi útil?
SIm0Não0

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00

Adblock Detected

Please support us by disabling your AdBlocker extension from your browsers for our website.